Rafael Benevides bio photo

Rafael Benevides

In a serious relationship with Software Development

Email Twitter Facebook Google+ LinkedIn Instagram Github Last.fm Youtube

Logo que mudei para Brasília em 2004, encontrei sobre a mesa de um colega de trabalho, uma edição do livro Extreme Programming – Aprenda como encantar seus usuários desenvolvendo software com agilidade e alta qualidade, de Vinícius Manhães Teles. Confesso que a palavra “encatar seus usuários” despertou em mim o grande interesse em ler este livro.

Até então já havia escutado falar (e muito) na metodologia XP, mas na minha pós-graduação só tive contato com RUP, que era pregado como a Panacéia para o processo de Desenvolvimento de Software da atualidade. Confesso que encarei com certo ceticismo todo aqueles “pesados” processos, mas me deixei levar em prol de “uma solução disciplinada de como assinalar tarefas e responsabilidades dentro de uma organização de desenvolvimento de software.”

Foi com o mesmo ceticismo que adquiri uma edição do Livro Extreme Programming e logo nas primeiras páginas senti como se estivesse levando um empurrão do tipo: “Acorda!!!”. Tudo que foi dito no livro faz mais sentido (na minha realidade) do que o “Unified Process” que estava vivendo na época. Neste período, CMM e RUP eram as palavras da moda (e o são até hoje) e achava bacana gastar muito tempo na elaboração de documentos gigantes (afinal, estávamos investindo em qualidade!) para que o cliente assinasse estes documentos e futuramente pudessemos dizer: “Foi você quem pediu assim”. Já presenciei casos de projetos que após dois anos, todo o artefato que tinhamos produzido eram centenas de folhas com cronogramas, diagramas, fluxos, “print screens” de telas de protótipo e simplesmente nenhuma linha de código escrita. É claro que apesar do esforço em levantar TODOS os requisitos no início do projeto(prática condenável também pelo RUP), estes ainda continuavam mudando e causando impactos no custo e cronograma do projeto.

Após conhecer mais a metodologia XP, me tornei um grande adepto de metologias ágeis de desenvolvimento. Enganam-se aqueles que dizem que XP é a ausência total de toda e qualquer forma de documentação e controle de escopo e prazo. XP é uma metodologia e como tal é composta de métodos onde um deles diz que “A ídeia é não fazer muita documentação, é fazer a documentação necessária”. Toda esta mudança drástica de pensamento e “cultura” me levou a ser mais questionador em relação aos processos de desenvolvimento e também a pensar mais no lado cliente: Ele tem que receber pelo o que ele está pagando e não pelo o que ele assinou (Muitos clientes assinam Projetos de Software confiando que os Gerentes de Projeto entenderam perfeitamente os requisitos e não lêem o documento que estão assinando).

Antes que eu seja criticado pelo pessoal do RUP, onde inclusive participo do grupo
RUP Brasil, gostaria de deixar claro que o erro não está na metodologia (não afirmei isto), mas na forma como os grandes “pregadores” implantam o RUP em seus ambientes, cometendo erros que causam “Dor e Sofrimento” segundo o artigo Seven Steps to Pain and Suffering escrito pelos “caras da Rational”. Uma síntese de artigo foi publicada pelo colega Leonardo Marques no endereço http://webdoispontozero.com/blog/?p=93. Parabéns pelo Artigo!!!

Continuando a “onda” de recomendações de leitura, acabei de ler o livro “Getting Real” ou “Caia na Real” que foi sugerido no mês de março pelo Urubatam no post Caia na Real (Livro gratuito de gerenciamento de projetos). Várias frases deste livro podem gerar “polêmica” para muitos que trabalham com metodologias de desenvolvimento. Basta ler a introdução e afirmo que a leitura o prenderá até a conclusão. Vejam: http://gettingreal.37signals.com/GR_por.php. Um Parabens para a equipe que realizou a tradução!

E para concluir, já que estive falando de vários livros (inclusive do livro Extreme Programming), sinto-me no dever de agradecer o autor Vinícius Manhães Teles pela excelente produção nacional! Apesar do livro ser uma publicação de 2004 e este agradecimento parecer meio “atrasado” ou fora do “momento apropriado”, nunca é tarde para reconhecer/agradecer/divulgar, principalmente pelo crescimento do senso crítico que o livro me proporcionou, e também por ser uma grande contribuição para o processo de “desmistificação” e “catequisação” da metodologia XP: Vinicius, Muito Obrigado!