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Rafael Benevides

In a serious relationship with Software Development

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Há algum tempo que tenho percebido em algumas empresas de TI um “fenômeno” interessante. Aqui em Brasília e também no interior, podemos ver que programadores tendem a ser igualados a trabalhadores braçais e por isto é comum ouvir expressões como:

  • Você ainda codifica?! Isto é coisa para menino!

  • Porquê você fica escovando bits até hoje ? Vai estudar Gerência de Projetos (PM)!

  • Vocês ficarão apenas com o “filé”. Vocês farão o projeto em UML e colocaremos os estagiários para implementar.

  • Vamos dar uma grande festa para os gerentes, afinal o projeto foi realizado com sucesso!

  • Investimos muito em documentação de forma que podemos a qualquer momento substituir alguém da equipe

Acontece que nenhuma destas empresas acordaram para a realidade: “Não podemos comparar uma fábrica de Software com uma fábrica de carros”. A maioria delas utilizam os ensinamentos de Taylor como a base para produtividade das Empresas de Software.

Os ensinamentos de Taylor são baseados na repetição de processos manuais e isto realmente veio a elevar o desempenho das indústrias. Entretanto, sempre relacionei o desenvolvimento de um software a uma atividade meramente intelectual assim como pintar um quadro ou escrever um livro. Tudo bem que quando se trata de software, não podemos implementar um sistema guiado pela inspiração, mas sim por requisitos levantados com o cliente. Esta analogia tem o objetivo de mostrar que desenvolver software é uma arte e portanto é natural que se tenham “artistas” mais experientes, mais produtivos e com traços mais maduros. Sendo assim, como comparar um implementador experiente com um com menos experiência ? Como comparar um implementador de Sistemas Operacionais com um que apenas implementou um CRUD em alguma ferramenta RAD ?

As empresas que ainda não perceberam isto acabam valorizando apenas os cargos que não implementam ( Gerentes de Projetos, Analistas de Negócio, etc) e deixando de lado o corpo técnico (Implementadores, Arquitetos, Testadores) sem o devido reconhecimento. Nestas empresas é comum o técnico Senior ganhar menos que um gerente Júnior e ai acontece algo normal:

  • Os técnicos Senior insatisfeitos com a remuneração começam a buscar cargos gerenciais nas empresas

  • O Corpo técnico (motivado pelo salário) vai “arriscar” se tornar um Gerente de Projetos por exemplo

  • O Corpo gerencial receberá técnicos muitas vezes sem skill de gerência.

  • O Corpo técnico perderá bons profissionais

  • A empresa perde dos dois lados

Imagine empresas como a Oracle, IBM e até mesmo a Microsoft apenas com cargos gerenciais em suas equipes? Não conseguem imaginar pois se tratam de grandes empresas de TI, correto ? E porquê o mesmo não acontece na empresa de TI que você trabalha ? Porquê os lucros a curto prazo são melhores percebidos do que investimentos a longo prazo. Por outro lado, já vi várias empresas que mostram como diferencial a qualidade da Equipe como um todo, independente da atuação dos Perfis. Estas empresas possui bons vendedores, bons gerentes, bons implementadores, bons testadores, bons DBAs, bons analistas de negócio! O que dizer destas empresas?! Estão com uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes que sabem vender, mas não sabem gerenciar. Ou concorrentes que sabem vender e gerenciar, mas não sabem implementar produtos com qualidade. Estas empresas costumam dizer que são sustentadas por dois pilares: O Pilar Técnico e o Pilar Gerêncial.

Até mesmo a administração pública tem percebido a necessidade de se sustentar nestes dois Pilares e estão com licitações no mercado onde um Analista de Sistemas Senior tem exatamente a mesma remuneração de um Gerente de Projetos Senior.

O resultado disto é que o Perfil que traz resultado será devidamente valorizado independente da área de atuação (Técnico ou Gerencial). Com um plano de carreiras traçado, caberá ao profissional se especializar e direcionar a sua carreira de acordo com seu “skill” natural. Existiram mais gerentes “de facto” e mais técnicos realizados em suas profissões. Conforme o este artigo que cita, por exemplo, a quantidade de códigos sem erro produzidos por um programador de computador - o melhor de todos mostrou ser 22 vezes mais eficiente que um programador médio.

Então! Qual profissional você quer manter na sua empresa ?