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Rafael Benevides

In a serious relationship with Software Development

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Acabei de receber este texto do meu amigo Marco Tulio.

Dizia o assunto da mensagem que se tratava de uma reportagem da Época Negócios. Não achei a referência e(ou) autor e portanto carece de fontes. Ao ler esta reportagem descobri um novo termo: Geração Y – Expressão criada para designar os nascidos entre 1982 e 2000, ainda que alguns demógrafos proponham o ano de 1978 como o de seu início. Esses jovens sucedem a geração X, que nasceu entre 1961 e 1981.

De qualquer forma, o texto é bastante interessante e me lembra muito o Post do Vitor Pamplona sobre o Ócio Criativo

Porta-voz da geração Y

O mundo corporativo americano está em transição. A geração de 50 anos,identificada como os baby boomers,prepara-se para sair de cena. Nos próximos anos, algo como 7 milhões de profissionais vão se aposentar nos Estados Unidos, abrindo espaço, na base da pirâmide, para a próxima geração de executivos.

Aí reside um problema: a garotada com pouco mais de 20 anos, que está chegando agora ao RH das companhias, não tem o perfil de seus antecessores. Ela não se parece com a geração de seus pais, que fez carreira trabalhando até 100 horas por semana e escalando, lentamente, a escada funcional das corporações. Formados na era da internet, os novatos são empreendedores, ansiosos, inconformistas e zelosos,extremamente zelosos de sua vida pessoal. As empresas tais como são hoje não foram desenhadas para suas aspirações. Chamado de geração do milênio, geração internet ou simplesmente geração Y, esse imenso grupo social (76 milhões de pessoas nos Estados Unidos, nascidas entre 1978 e 2000) constitui uma incógnita para o mundo do trabalho.

É nesse cenário que se entende o sucesso de Penelope Trunk e seu Brazen Careerist (“Carreirista atrevido”),lançado no ano passado nos Estados Unidos com a proposta de explicar as regras de sucesso no novo milênio. “Eu escrevi para ajudar pessoas entre 20 e 30 anos a orientar suas carreiras”, diz Penelope, uma ex-jogadora de vôlei de praia convertida em executiva, empreendedora e, atualmente, colunista de sucesso. “Mas o pessoal das empresas está comprando para entender como os jovens pensam.” Receitas de sucesso e guias de auto-ajuda profissionais há de monte. O que faz o livro de Penelope especial é a originalidade de seu conteúdo. Atrevida, otimista, iconoclasta, em vez de recitar fórmulas consagradas de ascensão profissional estude muito, trabalhe duro, lute por uma promoção – ela faz o contrário: diz que a vida corporativa é uma espécie de beco sem saída e sugere rotas alternativas, antes e depois do primeiro emprego. Penelope diz, com todas as letras, que não adianta ser o primeiro da classe. Quanto a atirar-se precocemente ao mundo do trabalho, qualquer trabalho, calma: para quem está sem boas perspectivas, uma longa mochilada pode ser o melhor remédio. As pessoas que largam primeiro na carreira, afirma, nem sempre vão mais longe. Mesmo o ato de deixar a casa dos pais, um rito de passagem imperioso para as gerações anteriores, é revisto num ângulo pragmático: é muito mais fácil esperar por um bom emprego sem a pressão das contas empilhando em baixo da porta. Logo…

DEDICAÇÃO INTEGRAL? NEM PENSAR

É evidente que esse tipo de conselho não pretende transformar ninguém no mais jovem presidente da IBM ou na versão 2.0 de Bill Gates, mas Penelope dá de ombros.

“Para que ser presidente de uma empresa?”, ela pergunta,ao telefone, num tom de estudado desdém. “Garanto que Bill Gates não tem tempo suficiente para os filhos.” Essa linguagem parece encontrar eco entre os mais jovens assim como a defesa de urna nova postura profissional, na qual a dedicação incondicional à empresa é trocada, sem culpas,por um projeto de qualidade de vida e realização íntima. Não seja o sujeito que trabalha demais, escreve ela; você pode parecer incompetente. Esqueça as promoções, troque-as por tempo livre para tocar projetos pessoais. Independência e autonomia são mais importantes do que cargos que exigem dedicação integral. Explique ao seu chefe quarentão que você não precisa passar dez horas por dia no escritório para fazer um trabalho que a tecnologia já permite fazer mais rápido, de casa. E,sobretudo, prepare-se para abrir um negócio e ser seu próprio patrão.

Casada, mãe de dois filhos pequenos, Penelope diz que ampara seus conselhos na própria biografia. Depois da universidade, ela passou boa parte da juventude jogando vôlei de praia profissionalmente. Garante que isso não lhe fez mal algum.

Depois foi para o mundo corporativo e, dali, para o universo da bolha pontocom, durante a qual abriu e perdeu duas companhias. Lamenta o dinheiro que poderia ter ganho,mas diz que aprendeu enormidades. Agora, aos 41 anos,colunista do rahoo! Finance e do The Boston Globe, autora de um blog de sucesso, avalia que as coisas deram certo e foram bem divertidas. Sua prioridade sempre foi “ser feliz”, sem medo de correr riscos. E é isso que ela recomenda: destemor, sobretudo da instabilidade, e ação empreendedora. “Ansiedade é só um outro nome para oportunidade”, escreve. “Se você está encalhado na carreira, crie instabilidade. Cada um de nós tem o dever de abrir as próprias portunidades.”

Essa mistura de desapego e empreendedorismo é a cara da geração internet. E pode mudar o universo corporativo. “As empresas precisam do talento das novas gerações e a única forma de atraí-lo é mudando as relações de trabalho”, afirma Penelope. As pessoas não estão mais preocupadas apenas com dinheiro e sucesso. Querem liberdade, tempo livre, espaço para a criatividade, autonomia e ambientes amigáveis, porque essa é uma geração que trabalha em grupo. De novo, a biografia. Ela conta que ela e o marido passaram um longo período feliz em Nova York com US$ 300 por mês. “As pessoas aprenderam a viver com menos em troca de coisas mais importantes”, garante. “O sonho americano mudou.” Hoje em dia, ela vive com mais largueza (não diz quanto ganha) na aprazível cidade de Madison, capital de Wisconsin, “uma das dez melhores cidades americanas para se viver”. O marido cuida da casa e das crianças e os dois fazem terapia de casal – como Penelope explica, com abundância de detalhes, em seu blog.

NO BRASIL, FALTAM OPORTUNIDADES

Basta um olhar atento para perceber que o entorno dessa discussão não é o mesmo no Brasil, país com a quinta população juvenil do mundo. A taxa de desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos (uma população de pelo menos 25 milhões de pessoas) é o dobro dos 8% da geral. Especializada em questões de juventude, a socióloga Helena Abramo diz que as pesquisas são claras: a ambição número 1 dos jovens brasileiros de todas as classes é obter um emprego estável, registrado. Eles temem não ter um lugar ao sol. É natural que suas exigências em relação ao trabalho sejam diferentes, embora – como diz Gilberto Guimarães, diretor-geral da consultoria BPI do Brasil – as inquietações existenciais possam ser semelhantes. “No mundo todo essa geração é empreendedora, domina a tecnologia, valoriza a independência. Mas as circunstâncias em cada país são distintas.

Aqui, faltam oportunidades”, afirma. O economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea e estudioso de trabalho e emprego, acredita que as exigências feitas pelos jovens americanos são possíveis no Brasil, mas em ambientes restritos,nos quais predomina a criação intelectual. Infelizmente, não é o caso para a absoluta maioria dos jovens. Embora mais escolarizados, eles recebem oferta de empregos simples, de baixa remuneração. “Há uma nova divisão internacional do trabalho que concentra a criação e distribui a execução de serviços”, diz Pochmann. “Nós, como país, estamos no pólo da execução,exportando matérias-primas.”

Antes que se tenha uma impressão errada de Penelope Trunk e suas idéias, uma ressalva: a moça não é hippie. Cinco minutos com ela ao telefone são suficientes para perceber o tom assertivo e profissional por trás de cada palavra. Claro, ninguém passa anos jogando vôlei de praia se não for brutalmente competitivo.

Questionada, ela reage com ironia e agressividade na defesa de suas teses. Mesmo seu livro, que tem um tom implicitamente anticorporativo, é um manual sagaz de administração de carreira. Não serve para quem deseja seguir a trilha convencional do emprego de 30 anos coroado com honrosa aposentadoria. Mas cai como uma luva para os ambiciosos que têm um projeto pessoal e usam o emprego como escada.

Ela recomenda, por exemplo, a delegação sumária de tarefas e a concentração de esforço naquilo que é essencial ao projeto pessoal. Chefe? Sua tarefa precípua é tornar a vida dele mais fácil. Claro, é essencial trombetear os próprios feitos em vez de esperar humildemente pelo reconhecimento. O espírito que orienta o livro, enfim, é o de tomar o controle, em vez de seguir regras ultrapassadas de etiqueta corporativa.Impor-se, com a necessária diplomacia. Faz sentido? Sempre fez, para uma minoria movida por talentos e aspirações maiores. Agora, diz Penolope, vale para todo mundo.