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Rafael Benevides

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Apesar de ser uma notícia que pode passar despercebida, tenho a impressão que o impacto para nós que moramos e trabalhamos com TI em Brasília, será de alguma forma, considerável.

CEF economiza R$ 232,9 milhões em licitação de fábrica de software


A Caixa Econômica Federal conseguiu economizar nesta terça-feira, (04/03), R$ 232.978.210,00 em cinco dos oito lotes da licitação 001/2007, que visa contratar uma fábrica de software. Também quebrou uma hegemonia, até então, conferida para empresas de Brasília. A maioria dos lotes foi vencido por empresas de fora da capital federal.

Obviamente, as empresas brasilienses não estão satisfeitas com os resultados e já ameaçam tentar impugnar a licitação da CEF no Judiciário. No mercado, ao longo do dia, comentava-se que o consórcio formado pela B2Br (do Grupo TBA) e a indiana Tata, iriam recorrer da pontuação técnica recebida que, praticamente, as inabilitou no processo.

A verdade é que ao longo de 2007, a CEF foi obrigada a conviver com todo tipo de troca de acusações entre os concorrentes desta licitação. No fim, rejeitou uma série de pedidos de impugnação. Mais: Numa manobra relâmpago apresentou nesta segunda-feira (03/03), a classificação técnica e, em seguida, nesta terça, abriu os envelopes com as propostas de preços dos cinco primeiros lotes, referentes ao desenvolvimento de novas soluções para o banco oficial.

A empresa DBA Tecnologia da Informação, com sede no Rio de Janeiro e no mercado desde 1988, levou três dos cinco lotes abertos nesta terça-feira pela CEF.

No item 1 (DESENVOLVIMENTO IDMS), a empresa ofereceu R$ 28.531.040,00 pelo serviço. O preço estimado em edital era de R$ 43.510.020,00. Impôs uma derrota para a Politec Informática – uma das maiores empresas de TI de Brasília – ao apresentar um preço R$ 10.556.080,00 inferior ao da concorrente brasiliense (R$ 39.087.120,00).

A empresa carioca ainda conseguiu vencer os itens 3 e 5 do edital da Caixa:

- Item 3 (DESENVOLVIMENTO PLATAFORMA BAIXA E INTERMEDIÁRIA): Preço estimado em edital: R$ 141.120.000,00. A DBA Tecnologia ofereceu um preço de R$ 59.913.600,00. Mais uma vez desbancou a Politec, que ofereceu R$ 71.757.600,00. Uma diferença de R$ 11.844.000,00.

- Item 5 (DESENVOLVIMENTO WEB (INTERNET/INTRANET/EXTRANET): Preço estimado em edital: R$ 7.370.000,00. A DBA ofertou um total de R$ 5.231.050,00. Neste item desbancou o consórcio CI&T cujo preço apresentado foi de R$ 5.753.000,00. Uma diferença de R$ 521.950,00.

Surpresa

Criada em 1987, o Grupo Stefanini atua nos segmentos de Consultoria, Networking, Training, Gestão Empresarial (SGE), Quality Tools, com filiais na Argentina, México, Peru, Chile, além da Colômbia. O Grupo conta ainda com as subsidiárias Stefanini Internacional Corp (USA) e Stefanini Europe (S.L).

Nesta terça-feira, a empresa surpreendeu quando apresentou seu preço para o item mais caro da licitação da Caixa – o de número 2 (DESENVOLVIMENTO DB2) – cujo edital estimava em R$ 242.142.720,00. A empresa ofereceu um preço de R$ 127.697.920,00, batendo a concorrente DBA Tecnologia da Informação, que apresentou um lance de R$ 137.889.280,00. Uma diferença de R$ 10.191.360,00.

Por fim, restou à Politec, uma empresa brasiliense que poucas vezes sofreu uma derrota tão fragorosa, ficar com o lote de número 4 (DESENVOLVIMENTO MUMPES/CACHE), cujo valor estimado em edital era de R$ 16.464.000,00. A Politec ganhou com um preço de R$ 11.604.600,00. Ainda assim foi por pouco, pois a concorrente DBA chegou bem próximo de roubar mais este contrato, ao apresentar um valor de R$ 11.698.540,00. Significa uma diferença de apenas R$ 93.940,00.

Divergências

Os resultados desta licitação ainda devem render ações judiciais mesmo antes de a CEF abrir as propostas de preços dos Itens 6 (MÉTRICA); 7 (TESTES, QUALIDADE E AUDITORIA) e 8 (SUPORTE TÉCNICO AVANÇADO).

Durante esta terça-feira, sob o impacto dos cinco lotes iniciais, já se comentava que o consórcio Conexão, formado pelas empresas (B2BR- do Grupo TBA e a indiana Tata), estudavam entrar na justiça para impugnar a licitação. O consórcio perdeu muitos pontos na habilitação técnica. Assim como seus preços não contribuíram para melhorar a posição do consórcio diante dos concorrentes.

De toda forma, a Caixa Econômica Federal conseguiu outro fato histórico na gestão da Vice-presidente de TI, Clarice Copetti: Quebrou a hegemonia de grandes empresas de Brasília nos contratos do banco oficial. A executiva já enfrentou todo o processo de migração da rede lotérica que estava concentrada nas mãos da multinacional Gtech e, agora, tirou um dos maiores contratos “cativos” da Politec na capital federal.

Resta saber como os sindicatos reagirão doravante com a saída da Politec da Caixa Econômica Federal. Isso porque espera-se que a empresa pague milhões em indenizações para funcionários que perderão o emprego, diante da chegada da nova fábrica de software.

Fonte: :: Luiz Queiroz :: Convergência Digital :: 04/03/2008